Pensamentos De Schopenhauer Essays

Para levar o homem a um estado de bem-venturança, de modo algum seria suficiente que se o transportasse para um mundo melhor; ainda seria necessária a produção de uma mudança fundamental nele mesmo, que o fizesse não mais ser o que é, mas, ao contrário, o fizesse se tornar o que não é.Porém, para isso ele tem de primeiro deixar de ser o que é.

Schopenhauer

O Tempo e a transitoriedade de todas as coisas são apenas a forma sob a qual o desejo de viver – que, como coisa-em-si, é imperecível – revelou ao Tempo a futilidade de seus esforços; é o agente pelo qual, a todo o momento, todas as coisas em nossas mãos tornam-se nada e, portanto, perdem todo seu verdadeiro valor.

Schopenhauer

Se olharmos a vida em seus pequenos detalhes, tudo parece bem ridículo. É como uma gota d`água vista num microscópio, uma só gota cheia de protozoários. Achamos muita graça como eles se agitam e lutam tanto entre si. Aqui, no curto período da vida humana, essa atividade febril produz um efeito cômico.

Schopenhauer

Será que eu queria continuar vivendo em meu filho? Numa personalidade ainda mais fraca, insegura e medrosa do que a minha? Cego e pueril engano! O que meu filho pode fazer por mim? Onde estarei depois de morto? Ah, é tão brilhantemente claro. Estarei em todos aqueles que já disseram, dizem ou dirão "eu", principalmente naqueles que dizem com mais segurança, mais força e alegria!(...)Será que alguma vez detestei a vida, esta pura, forte e implacável vida? Loucura e engano! Detestei apenas a mim mesmo por não conseguir suportá-la. Amo vocês todos, abençoados, e logo, logo, deixarei de estar separado de vocês por um cárcere apertado; dentro em breve, aquela parte de mim que os ama se libertará e estará com vocês e em vocês.

Schopenhauer

Poderíamos prever que, às vezes, as crianças parecem inocentes prisioneiras, condenadas não à morte, mas à vida, sem ter consciência ainda do que significa essa sentença. Mesmo assim, todo homem deseja chegar a velhice, época em que se pode dizer: "Hoje está ruim e cada dia vai piorar até o pior acontecer".

Schopenhauer

Não entendo como o homem pode amar a mulher, um ser inferior, de ancas largas, ombro estreito, cabelos grandes porque a mente é curta.

Schopenhauer

Inserida por hildalene

Nossa razão se obscurece ao considerarmos que as inúmeras estrelas fixas, que brilham no céu, não têm outro fim senão o de iluminar mundos onde reinam o pranto, a dôr, e onde, no melhor dos casos, só vinga o aborrecimento; pelo menos a julgar pela amostra que conhecemos.

Schopenhauer

Estar apaixonado sempre traz para a pessoa fenômenos cômicos em meio também aos trágicos; e ambos porque a pessoa apaixonada, possuída pelo espírito da espécie (instinto), passa a ser dominada por esse espírito e não pertence mais a si própria.

Schopenhauer

Se possível, não devemos alimentar animosidade contra ninguém, mas observar bem e guardar na memória os procedimentos de cada pessoa, para então fixarmos o seu valor, pelo menos naquilo que nos concerne, regulando, assim, a nossa conduta e atitude em relação a ela, sempre convencidos da imutabilidade do carácter. Esquecer qualquer traço ruim de uma pessoa é como jogar fora dinheiro custosamente adquirido. No entanto, se seguirmos o presente conselho, estaremos a proteger-nos da confiabilidade e da amizade tolas.
«Não amar, nem odiar», eis uma sentença que contém a metade da prudência do mundo; «nada dizer e em nada acreditar» contém a outra metade. Decerto, daremos de bom grado as costas a um mundo que torna necessárias regras como estas e como as seguintes.
Mostrar cólera e ódio nas palavras ou no semblante é inútil, perigoso, imprudente, ridículo e comum. Nunca se deve revelar cólera ou ódio a não ser por atos; e estes podem ser praticados tanto mais perfeitamente quanto mais perfeitamente tivermos evitado os primeiros. Apenas animais de sangue frio são venenosos.
Falar sem elevar a voz: essa antiga regra das gentes do mundo tem por alvo deixar ao entendimento dos outros a tarefa de descobrir o que dissemos. Ora, tal entendimento é vagaroso, e, antes que termine, já nos fomos. Por outro lado, falar sem elevar a voz significa falar aos sentimentos, e então tudo se inverte. Com maneiras polidas e tom amigável, pode-se falar grandes asneiras a muitas pessoas sem perigo imediato.

Schopenhauer

A religião pode ser comparada a alguém que pega um cego pela mão e o guia, pois este é incapaz de enxergar por si próprio, tendo como preocupação chegar ao seu destino, não olhar tudo pelo caminho.

Schopenhauer

Estar à espreita! A memória é um ser caprichoso e temperamental, comparável a uma jovem mulher: às vezes, ela cala de forma totalmente inesperada aquilo que já forneceu uma centena de vezes, e mais tarde, quando já não estamos mais pensando naquilo, ela o oferece muito espontaneamente.

Schopenhauer

Assim como o homem carrega o peso do próprio corpo sem o sentir, mas sente o de qualquer outro corpo que quer mover, também não nota os próprios defeitos e vícios, mas só os dos outros.

Schopenhauer

Às vezes é possível desvendar, com muito esforço e lentidão, por meio do próprio pensamento, uma verdade, uma ideia que poderia ser encontrada confortavelmente já pronta num livro.
No entanto, ela é cem vezes mais valiosa quando obtida por meio do próprio pensamento. Pois só então ela é introduzida, como parte integrante, como membro vivo, em todo o sistema de nossos pensamentos, estabelecendo com eles uma conexão perfeita e firme, sendo entendida com todos os seus motivos e as suas consequências, adquirindo a cor, o tom e a marca de nosso modo de pensar.

Schopenhauer

Alegria desmedida e dor muito violenta acometem sempre e apenas a mesma pessoa: pois ambas se condicionam reciprocamente e são também condicionadas juntas por uma grande vivacidade do espírito.

Ambas são causadas, não pelo simples presente, mas pela antecipação do futuro.

No entanto, visto que a dor é essencial à vida e, pelo seu grau, é também determinada pela natureza do sujeito - o que implica que, na realidade, modificações repentinas, sendo sempre externas, não podem mudar o seu grau -, na base do júbilo ou da dor excessivos há sempre um erro e uma falsa crença: por conseguinte, essas duas exaltações do espírito poderiam ser evitadas com o uso do juízo.
Schopenhauer, sobre a gangorra alegria e dor

Schopenhauer

Inserida por DavidFrancisco

Uma filosofia cujas páginas não abranjam os extremos das lágrimas, choro e ranger de dentes e o fragor pavoroso do homícidio social recíproco e universal não é absolutamente uma filosofia.

Schopenhauer

Eu não pretendia sentir por ele um amor ardente e nem tampouco ele parecia esperar isso de mim.

Schopenhauer

Tanto no crepúsculo como durante a aurora, tanto durante as tempestades que agitavam suas camadas mais profundas, como quando estava brilhando ao refletir a cara luz do sol ou mesmo nos momentos em que era escurecido pelas sombras que voavam pelo céu e vinham em minha direção.. ainda que momentaneamente ensombreado, este mar em constante movimento trazia para mim, em suas mudanças constante aos longo do dia, as imagens de um espetáculo que nunca me cansava.

Schopenhauer

Inserida por pandavonteesedois

Quem não experimentou o sentimento primordial do amor materno, muito frequentemente sentirá que lhe falta o amor primitivo pela própria vida. Apenas quem não conseguiu unir-se a tudo quanto vive, porque lhe faltam os laços afetivos indeléveis que lhe permitiriam desenvolver essa simpatia para com o que é vivo, é capaz de distanciar-se de tudo quanto pertence a vida: o corpo, a respiração e a vontade.

Schopenhauer

Mentiras necessárias, que elas não eram permitidas. Porque logo nos levariam a falar em roubos necessários e também a justificar pela necessidade os maiores vícios.

Schopenhauer

Inserida por pandavonteesedois

Não devo agir de modo tal que eu possa seduzir os outros através da prática de coisas escandalosas. Não é admissível, por exemplo, que eu me comporte com ostentação, elevando os outros a incorrerem em despesas que se acham além de seus próprios meios, apenas para me divertir com isso.

Schopenhauer

É mais fácil responsabilizar um outro por nossas falhas ou por alguma decisão para a qual não bastam nossas próprias forças. A liberdade nos coloca em confronto com as escolhas e com nosso ser interior.
Quando escolhemos alguma coisa, também devemos assumir a responsabilidade por essa decisão. Feita a escolha, não podemos mais escapar dela. Depois da escolha, depois de saber o que decidimos, é que ficamos sabendo quem de fato nós somos.
Cada escolha toma uma possibilidade e abandona a outra. Mais precisamente, a tomada de uma decisão significa encerrar um universo inteiro de possibilidades. Todo “Sim” está também encaixado à firme negação de seu oposto e assim nos assevera o conhecimento de nós mesmo.

É que sempre determinamos nosso caminho físico sobre a terra como apenas uma linha e nunca como um plano; assim devemos, através da vida, se quisermos agarrar firmemente e possuir alguma coisa, deixar de lado, à direita e à esquerda do caminho, inumeráveis outras coisas e renunciar a todas elas. Se não pudermos nos resolver, mas quisermos pegar tudo que nos chama a atenção de passagem, como uma criança em uma quermesse, será o mesmo que tentarmos transformar a linha de nosso caminho em um plano; ficaremos a correr em zigue-zague, perseguindo aqui um vaga-lume, ali um fogo fátuo ilusório e permanecendo sem nada. Quem deseja ser tudo, acaba não sendo nada. Quem tudo quer, tudo perde.

Schopenhauer

Quem deseja aprender, deve saber sublimar. Quem quiser viajar só com a cabeça, deverá deixar o corpo em casa: quem quer viajar fisicamente, deve esquecer as viagens intelectuais.
Quem deseja prender-se às coisas do mundo da erudição, deve também possuir o vigor necessário para a renúncia ao mundo concreto.

Schopenhauer

Todas as pessoas sempre passam por experiências malogradas de toda espécie, através das quais cometem violências contra seu próprio caráter; porém mais cedo ou mais tarde, aquelas são dominadas e forçadas a ceder a este.
Quem nada ama, não precisa tocar em nada. É protegido pelo frio e pela clareza dos contornos.

Schopenhauer

Os reis deixam aqui suas coroas e cetros, os heróis abandonam suas armas, […] mas os grandes gênios que estiveram submetidos a eles, que orgulhosamente apenas contemplaram com um olhar casual, os grandes pensadores que não se importavam com as coisas externas, levaram consigo sua grandeza para o além, foram eles que levaram consigo tudo o que tinham.

Schopenhauer

Inserida por pandavonteesedois

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O budismo, que para todos os fins trataremos aqui por uma filosofia, tem semelhanças incríveis com o pensamento de Schopenhauer. O filósofo foi muito influenciado pelo pensamento oriental e usa muitas das ideias do hinduísmo e do budismo para melhor desenvolver seus conceitos.

A principal questão abordada por eles é a dor. De onde vem a dor? Por que sentimos dor? É possível fazer cessá-la? Para todos os efeitos, Schopenhauer vê a dor como resultado da falta, uma falta insaciável que nunca é preenchida. Temos fome, temos sede, frio, desejos sociais, amorosos. Viver é sinônimo de querer, mas querer é a busca por preencher a falta, falta esta que nos constitui.

Buda, ou melhor, o príncipe Sidarta Gautama, encontrou a dor logo após renunciar de sua vida no castelo e fugir de uma existência cercada de regalias e benesses. Logo deparou-se com um velho, um doente, um cadáver, e, por fim, um asceta. Após  anos de meditação e prática, Sidarta Gautama finalmente atingiu o estado de Buda (que significa “o desperto”). A partir deste momento Buda nos legou suas “Quatro Nobres Verdades” cujo entendimento nos levaria para além da dor.

Schopenhauer também deparou-se com cenas que o marcaram em sua infância. Quando pequeno, seu pai ofereceu a possibilidade de ter uma vida modesta como filósofo ou então seguir com ele em uma viagem pela Europa e depois seguir sua carreira de comerciante. Como optou pela viagem, teve a chance de ver uma Europa devastada pelas guerras napoleônicas: dor, fome, miséria, pobreza. “Viver é sofrer” concluiu ele dois mil anos após buda.

As quatro nobres verdades de Buda são: 1) o sofrimento: a vida está invariavelmente sujeita a todo tipo de sofrimento; 2) a causa do sofrimento: a ignorância dos homens os levam a desejar aquilo que lhes causa dor: os apegos, a cobiça, as posses; 3) a verdade da cessação do sofrimento: é possível a cessação do sofrimento que é causado pelo ignorância e os desejos dos homens. 4) Caminho para a cessação do sofrimento: aqui Buda nos oferece seu remédio contra a dor e o sofrimento: o caminho óctuplo, um conjunto de práticas mentais e éticas na busca pelo Nirvana.

Schopenhauer segue um caminho parecido em sua obra magna, “O Mundo Como Vontade e Como Representação”. A causa do sofrimento é a manifestação violenta da Vontade, essência íntima de tudo no mundo. O homem é a representação mais alta da Vontade, onde o intelecto atinge seu mais alto grau de entendimento; isto faz do homem o mais sensível à dor. Neste caso, negar a Vontade é ao mesmo tempo negar a causa da dor. Schopenhauer nos dá o primeiro lenitivo para a dor que no homem se torna insuportável: a arte. Mas ela não é o bastante, trata-se apenas de um analgésico, um entorpecente que nos faz esquecer as angústias desta vida. Mas qual é a solução final para o sofrimento? Se a Vontade se manifesta através do querer-viver então a resposta está dada: a saída do ciclo da dor é a negação do querer-viver.

Schopenhauer encontra nos mestres hindus, nos ascetas, nos budistas, na compaixão cristã, em São Francisco de Assis, a resposta para seu problema filosófico, negar a vida! Esta é a solução de Schopenhauer, esta é a única alternativa. O ciclo de desejar o que não se tem, conquistar e entediar-se para novamente desejar o que não se tem só pode ser interrompido cortando o mal pela raiz: negar o querer-viver. Schopenhauer tinha uma estátua de buda em sua casa, mas seu verdadeiro monumento ao budismo está dentro de sua obra de filosofia.

“Ao encontrarmos na vida de homens santos aquela calma e bem-aventurança que descrevemos apenas como a florescência nascida da constante ultrapassagem da Vontade, vemos também como o solo onde se dá essa floração é exatamente a contínua luta com a Vontade de vida” – Schopenhauer, O Mundo Como Vontade e Como Representação

Mas o que isso tem a ver com Nietzsche? As críticas de Nietzsche para o budismo não passam nem perto daquelas que o filósofo escreve para o cristianismo, contudo, de certa forma, as duas se assemelham. Nietzsche chega até mesmo a expressar sua admiração por Buda, pois ele estaria livre de todo ressentimento (o mesmo acontece com Cristo, antes da apropriação e deturpação de seus ensinamentos por Paulo).

O budismo seria a religião dos últimos homens, antes de darem lugar ao além-do-homem. Por que? Simplesmente porque o budismo está livre de todo ressentimento, ele não acusa a dor, não a condena, apenas procura suprimi-la.

“O budismo é uma religião para homens tardios, para raças bondosas, suaves, que se tornaram superespirituais,  que sentem dor com muita facilidade (ainda falta muito para que a Europa esteja madura para ele) […] o budismo é uma religião para o fim e para o cansaço da civilização” – Nietzsche, O Anticristo, §22

Muito diferente do cristianismo, e Nietzsche faz questão de frisar esta diferença. O cristianismo seria a própria doença do homem moderno, a cruz que carrega; já o budismo seria mais como uma higiene mental, uma limpeza espiritual em direção ao Nirvana. Ambas decadentes, claro, mas para o autor de Anticristo, uma muito mais digna do que a outra.

O bicho homem é aquele que se debate contra as grades que o prendem, isso o machuca e o irrita, o cristianismo é a própria acusação do homem contra si mesmo, um tribunal onde ele julga a si mesmo e se condena: “Culpado!”, diz seu livro sagrado. O budismo é o último passo em direção à transvaloração de todos os valores. Depois da calma resignação dos ensinamentos de Buda, só resta espaço para o niilismo passivo tornar-se niilismo ativo. O Camelo transforma-se em Leão para quebrar todos os ídolos marcados com a inscrição “Tu Deves!” (veja “Das três metamorfoses“).

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Escrito por Rafael Trindade

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